Insetos e polinizadores
Vespas invadem cavidades de plantas feitas para formigas
Estudo em Bornéu revela que vespas predadoras desalojam colônias de formigas protetoras de caules especializados em áreas degradadas.
Relatado por ScienceDaily · · 2 min de leitura

Nas florestas tropicais do Bornéu malaio, uma antiga relação mutualística está passando por uma tensão inesperada. Biólogos que estudam árvores Macaranga pearsonii observaram que vespas caçadoras começaram a habitar os ramos ocos que normalmente abrigam colônias protetoras de formigas, de acordo com uma pesquisa publicada na PeerJ.
Por cerca de dez milhões de anos, essas espécies botânicas especializadas mantiveram uma aliança cooperativa com formigas. A planta fornece abrigo interno juntamente com alimentos ricos em nutrientes. Em troca, as formigas operárias residentes defendem vigorosamente a folhagem contra pragas herbívoras, como lagartas que comem folhas.
Investigações lideradas por instituições como a Queen Mary University of London e o Royal Botanic Gardens, Kew, revelaram uma transformação marcante. Ao inspecionar espécimes jovens em florestas exploradas por extração de madeira e plantações de dendezeiros, cientistas descobriram que vespas estavam reaproveitando os ocos internos como câmaras de reprodução.
Dentro dos caules invadidos, os pesquisadores observaram moscas imobilizadas servindo como alimento fresco para os filhotes de vespa em desenvolvimento. Os adultos capturam a presa, a incapacitam e acumulam os insetos paralisados dentro das câmaras da vegetação para que suas larvas possam se alimentar.
Impacto de paisagens alteradas
Essa perturbação se mostrou muito mais proeminente em áreas agrícolas. Plantas situadas dentro de concessões de dendezeiros apresentaram taxas substancialmente mais altas de infestação por vespas do que espécimes em trechos florestais anteriormente explorados. Além disso, as árvores que abrigavam vespas mantiveram populações de formigas significativamente reduzidas, indicando que os invasores podem estar expulsando os guardiões tradicionais da planta.
Os cientistas observaram que ambientes alterados frequentemente provocam mudanças nas relações biológicas. Se essa vespa predadora específica representa um inseto nativo ou uma variedade introduzida permanece sem confirmação, mas habitats degradados parecem facilitar sua expansão.
Como as árvores Macaranga atuam como vegetação pioneira vital em solos degradados, a perda da segurança proporcionada pelos insetos pode comprometer sua vitalidade e desacelerar a recuperação florestal em larga escala. Os pesquisadores alertaram que, se as plantas hospedeiras deixarem de obter vantagens de proteção ao criar cavidades especializadas, mudanças evolutivas podem desmantelar gradualmente alianças que duraram milhões de anos.


