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Vida marinha

Cinzas atômicas revelam passado de baleias encalhadas

Cientistas que analisaram camadas nos dentes de cetáceos encalhados descobriram pistas sobre o tempo de vida, dieta e habitats dos animais.

Relatado por Phys.org · · 2 min de leitura

Cinzas atômicas revelam passado de baleias encalhadas
Imagem: Phys.org

Vestígios de cinzas atômicas preservados nas camadas dentárias de baleias encalhadas forneceram aos pesquisadores um novo método para reconstruir o tempo de vida, a dieta e as viagens oceânicas desses animais. Uma investigação liderada por pesquisadores escoceses aplicou técnicas de radiocarbono e medições de isótopos estáveis em amostras coletadas de dois cachalotes e três orcas encontrados no litoral escocês em décadas passadas.

Os anéis de crescimento dos dentes em mamíferos geralmente se acumulam em ritmo anual, funcionando de forma semelhante aos anéis das árvores. Ao rastrear o pico característico e a eventual diminuição do carbono-14 introduzido na biosfera durante os testes atmosféricos de armas em meados do século XX, a equipe testou essa métrica de envelhecimento diretamente em ambas as espécies.

Novos limites para a datação dentária

As assinaturas químicas confirmaram que os anéis dentários se formam anualmente durante as fases jovem e adulta da vida. No entanto, o estudo indicou que esse padrão se torna comprimido e menos confiável na idade avançada. Por exemplo, uma orca macho resgatada em South Uist em 2015 apresentou cerca de 50 anéis de crescimento, mas dados de isótopos confirmaram que ele viveu antes da era dos testes, situando sua idade real em 65 anos ou mais e tornando-o um dos machos mais velhos já registrados de sua espécie.

Os pesquisadores também exploraram a história de Moby, um famoso cachalote que morreu no Firth of Forth em 1997. Como suas primeiras camadas dentárias não continham resíduos de testes atômicos, os cientistas determinaram que ele havia atingido pelo menos 43 anos de idade. Um segundo cachalote descoberto em 1994 mostrou uma formação anual de anéis semelhante, com ambos os animais apresentando níveis crescentes de isótopos de nitrogênio ao longo do tempo, correspondendo a mudanças dietéticas conhecidas em direção a áreas de caça mais profundas.

Rastreando movimentos regionais

Os dentes também refletiram alcances geográficos e escolhas alimentares. Uma orca fêmea chamada Lulu, descoberta em Tiree em 2016, carregava um sinal isotópico vinculado a descargas da usina de reprocessamento nuclear de Sellafield no Mar da Irlanda. Esse marcador indicou que ela buscava alimento principalmente ao longo da costa oeste da Escócia e consumia presas mais altas na teia alimentar, provavelmente incluindo outros mamíferos marinhos.

O pesquisador principal Kieran Tierney destacou que a integração de análises de radiocarbono e de isótopos estáveis oferece aos conservacionistas um panorama mais detalhado de como espécies marinhas de vida longa migram, se alimentam e se desenvolvem ao longo do tempo.